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Crescimento na Construção Civil: setor volta a ter alta no mercado e se fortalece

Wilson Pacheco Jr.

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Depois de um período de dificuldades o mercado volta a mostrar o crescimento na Construção Civil, aumentando o otimismo no setor.

A economia brasileira mostrou um desempenho muito abaixo do esperado nesse ano que passou e deixou muitos investidores e setores decepcionados. Ainda assim, uma luz de esperança se acende para a construção civil: o mercado imobiliário se fortalece e mostra crescimento consistente.

Um dos setores que mais geram empregos e riquezas no país, a construção civil tem muito o que comemorar no segundo semestre de 2019. O número de vendas e lançamentos aumentou e encheu todos de esperanças para o ano de 2020.

Veja alguns dados e entenda o crescimento na construção civil que tem animado tantos profissionais da área.

Dados do crescimento da construção civil

Os últimos anos foram de pouco ou nenhum crescimento na construção civil, o que faz com que os dados apresentados no ano de 2019 tornem-se tão esperançosos para consumidores e profissionais da área e para a economia do país.

Um dos primeiros pontos que é preciso destacar é o avanço no número de aquisições de imóveis, que cresceu 9,7% entre janeiro e março de 2019. Esse número representa a venda de 28,7 mil imóveis e vem acompanhado de um crescimento de 4,2%, equivalente a 14,7 mil unidades, de lançamentos de imóveis no mesmo período em todo o país.

Os dados são da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e são importantes por mostrarem que as pessoas têm comprado mais imóveis e terrenos. Para a construção civil, o aumento na aquisição significa o retorno dos investimentos em reforma e construção, além de representarem um interesse maior do público no setor. 

O CBIC ainda afirmou que a expectativa é que o ano acabe com um aumento de 10% a 15% nas vendas de imóveis, sendo as principais vendas aquelas de médio e alto padrão. Isso representa um crescimento não só no volume de vendas, mas na qualidade das vendas no setor imobiliário, que foca em produtos mais caros.

Outro grande ponto para o setor é o crescimento do PIB da construção. Enquanto o país não parece mostrar um aumento expressivo em seu PIB, o Produto Interno Bruto calculado especificamente para a construção civil mostra aumento de 2% entre abril e junho, em comparação aos dados de 2018. Para o período de janeiro a março, o crescimento foi de 1,9%.

E nem só de vendas e investimentos vive o setor. O crescimento na construção civil é visto também na parte profissional da área. Mais do que uma maior busca por imóveis e o crescimento do PIB, o setor tem aumento expressivo nas contratações.

Entre janeiro e setembro de 2019, a busca por alguns profissionais específicos, como os gestores de obra, por exemplo, chegou a 300% em comparação com 2018. Isso mostra que, além da aproximação com o cliente, a qualidade da prestação de serviços também tem sido incentivada e tomado novas proporções.

O crescimento na construção civil é uma boa notícia e traz esperanças para a melhora contínua do setor no próximo ano. No entanto, em tempos de crise, não é raro perguntar como esse crescimento tem acontecido.

O que causou o crescimento?

Saber que a indústria da construção civil tem mostrado altas significativas é bom, mas é importante entender como ela tem acontecido e o que motiva esse crescimento do setor.

Um dos principais motivos para o aquecimento na área é o mercado internacional. Com a retomada dos investimentos na construção civil que países como os Estados Unidos têm apresentado, é natural que mercados como o brasileiro se tornem atrativos para investimento.

Outro ponto importante destacado por especialistas é a baixa dos juros e a forma como se apresenta o cenário econômico brasileiro, que está cada vez mais favorável a investimentos.

Não é surpresa que imóveis de médio e alto padrão se mostrem significativos nos dados de aquisição no setor. O Brasil tem passado por um período de incentivos e melhores condições para o financiamento. Isso ocorre, principalmente, pelas medidas recentemente adotadas de liberação do FGTS, utilizado por muitos sistemas de financiamento e consórcio como recurso para aquisição de bens imóveis.

Olhando para alguns dados mais concretos, vemos que o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) teve uma expansão de 2,2% no mês de abril, se comparado ao mês de março, e de 40,3% em relação a abril de 2018. Esses números mostram que as cadernetas de poupança têm sido muito utilizadas no financiamento imobiliário.

A aquisição e a construção de imóveis utilizaram, em 2019, cerca de R$ 21,4 bilhões nos primeiros quatro meses do ano, representando um crescimento de 39,7% no setor. Empréstimos de recursos do SBPE com o intuito de serem aplicados na construção civil, por sua vez, tiveram alta de 40,2% nos 12 meses entre maio de 2018 e abril de 2019, em comparação ao período anterior.

Sobre o crescimento da construção civil em relação às vagas de emprego, dados do IBGE mostram uma relação com a alta de 10,7% no crédito para financiamento habitacional. Isso significa que os recursos para a contratação de profissionais da área de construção civil foram maiores, resultando em um aumento de 9% nas contratações entre abril e junho de 2019.

Esperança com pé no chão

Ainda que o setor da construção civil tenha mostrado constante crescimento no ano de 2019 e as expectativas para 2020 sejam promissoras, é necessário ser precavido. Essa é uma área da economia que exige condições em diversas frentes para apresentar alta de resultados, o que faz com que instabilidades do mercado brasileiro sejam impactantes.

A construção civil, para apresentar crescimento, depende de bases firmes para o setor de produção e venda de materiais, condições financeiras e de investimento dos clientes e incentivo na capacitação e contratação de profissionais.

No entanto, mesmo com tantas variáveis, o movimento se mostra favorável para construtoras e empreendedores na área. Com qualidade de atendimento, cronogramas de obra controlados e bons resultados, a tendência é que o crescimento se mantenha.

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