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Conheça Enedina Alves Marques, a primeira engenharia negra do Brasil

Amanda Gregio

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Já ouviu falar de Enedina Alves Marques? Ela foi a primeira mulher negra engenheira no Brasil! Conheça a sua trajetória cheia de conquistas e o seu legado inspirador para diversas profissionais. 

Enedina Alves Marques foi a primeira mulher a se formar em engenharia no Paraná e a primeira engenheira negra do Brasil. Venha conhecer um pouco da sua história, as suas contribuições e realizações para a área. 

Ela nasceu no dia 13 de janeiro de 1913, em Curitiba. Filha de empregada doméstica e lavrador, Enedina Alves Marques, enfrentou diversos obstáculos até conseguir se formar em Engenharia Civil aos 32 anos, em 1945 pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

Enedina foi a única mulher a se formar na sua turma, ao lado de trinta e dois colegas homens, um feito histórico. Até então, em todo o território brasileiro, somente quatro mulheres já haviam se graduado em engenharia e todas pela Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.   

Em agosto de 1981, Enedina faleceu aos 68 anos de idade, e recebeu diversas homenagens pela sua grande importância na engenharia, como, por exemplo, no dia 13 de janeiro de 2023, quando completaria 110 anos, foi ela quem apareceu na página principal de pesquisas do Google. 

A trajetória de Enedina Alves Marques

Os pais de Enedina chegaram em Curitiba três anos antes do seu nascimento, em 1910. E, foi na década de 1920 que a vida da menina começaria a mudar, quando a sua mãe conseguiu um emprego na casa do delegado e major Domingos Nascimento Sobrinho. 

Domingos tinha uma filha da mesma idade de Enedina, chamada Isabel, que teve acesso à educação desde cedo. E, para que sua filha não ficasse sozinha na escola, o delegado, pagava para que Enedina estudasse nos mesmos colégios e fizesse companhia para a menina. 

Assim, Enedina foi alfabetizada na Escola Particular da Professora Luiza Dorfmund, entre 1925 e 1926. Depois, entrou para o equivalente ao atual ensino médio, onde se formou no ano de 1931. 

Depois de formada, Enedina começou a atuar como professora no interior do Paraná, entre os anos de 1932 e 1953. Ela trabalhava nas cidades de Rio Negro, Cerro Azul, Campo Largo e São Mateus do Sul. 

Após lecionar no interior do estado, ela volta para Curitiba para cursar o Madureza no Novo Ateneu. Afinal, este era um curso intermediário de magistério na época. 

Entre os anos de 1935 e 1937, época em que estava cursando o Madureza, Enedina morou com a família do Construtor Mathia no bairro de Juvevê. O construtor e a sua esposa a receberam como um favor para o parente de Iracema e amigo de Enedina, Jota Caron. 

Para pagar a sua estadia, embora não tivesse o papel de doméstica, ela contribuia com os serviços de casa, enquanto ainda trabalhava como professora. 

Em 1938, Enedina deu o seu primeiro passo em direção à engenharia, ela começou o curso complementar em pré-engenharia no Ginásio Paranaense no período da noite. 

Como Enedina Alves Marques se torna engenheira?

Depois de concluir o curso complementar, Enedina começou a faculdade de engenharia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1940. A formatura aconteceu cinco anos depois, em 1945, isso a consolidou como a primeira mulher a se graduar em engenharia no estado do Paraná e a primeira mulher negra a se formar em engenharia no Brasil. 

Antes de Enedina, apenas duas outras pessoas negras haviam concluído o curso: Otávio Alencar, em 1918, e Nelson José da Rocha, em 1938. 

Após a sua formatura, ela foi exonerada da escola onde atuava como professora e se tornou auxiliar de engenharia na Secretaria do Estado de Viação e Obras Públicas. A vida profissional de Enedina foi de muita luta contra os preconceitos, mas também de extrema importância e pioneirismo. Abrindo caminho e inspirando muitas outras mulheres. 

Ainda atuando no serviço público, ela foi chefe da hidráulica e da divisão de estatística do serviço do serviço de engenharia do Paraná na Secretaria de Educação e Cultura do Estado. 

Por isso, em 1947, ela foi transferida para o Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica, trabalhando no Plano Hidrelétrico e no aproveitamento das águas dos rios Cachoeira, Iguaçu e Capivari. Esse período, segundo pesquisadores, foi o ápice da sua carreira. Afina, atuou no levantamento topográfico e na construção da Usina Capivari-Cachoeira e muitos outros projetos relevantes. 

Entre as principais obras da engenheira, podemos citar a Usina Capivari-Cachoeira, que hoje é chamada de Usina Governador Pedro Viriato de Souza, em Antonina, considerada por muitos como o maior feito da carreira por ser a maior central elétrica subterrânea do sul do país, além de trabalhar também na construção do Colégio Estadual do Paraná e a Casa do Estudante Universitário de Curitiba. 

Vida pessoal de Enedina Alves Marques

Entre as décadas de 1950 e 1960, já com a carreira estável, a engenheira decidiu viajar com o intuito de conhecer outras culturas. Em 1958, o major Domingos Nascimento faleceu e Enedina passou a ser beneficiária no seu testamento. 

Em 1961, Enedina se aposentou pelo Estado do Paraná e, meses depois, recebeu do Governador Ney Braga o reconhecimento por seus trabalhos. Ela faleceu aos 68 anos vítima de infarto.

Reconhecimentos

Hoje em dia, Enedina tem seu nome no Livro do Mérito do Sistema Confea/ Crea. Além disso, em 1988, uma rua em Cajuru, Curitiba, também recebeu o nome dela, em homenagem.

Mais tarde, em 2000, a engenheira foi reconhecida pelo Memorial à Mulher. E, assim, passou a figurar junto com outras 53 mulheres pioneiras do Brasil em diversas áreas do conhecimento. 

Em 2006, fundou-se o Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques, em Maringá, no interior do Estado do Paraná. 

Até hoje, Enedina é uma grande inspiração para todas as mulheres do setor! Para mais conteúdos como este, acompanhe o blog do Obra Prima e siga a nossa conta no Instagram, estamos sempre compartilhando novidades e dicas. 

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